Diga “Xis”

É sobre dar tempo ao tempo. Nada além de paciência para esperar o tempo tomar o tempo necessário para agir, no seu tempo.

Imagine uma parede branca com pequenas fotos penduradas nela. Tem muitas fotos, com todos os tipos de cores e amores, bem pequenas, estilo Polaroid. Cada foto representa um acontecimento diferente na sua vida.

Sabe quando a gente decide escolher umas fotos pra revelar e botar em um álbum físico? Se imagine olhando e selecionando aquelas que mais te lembram bons momentos. Vai pegando as fotos com pessoas especiais, lugares que amou, dias perfeitos. Dá uma risada só de lembrar do dia que pintou o cabelo de roxo e fez uma tatuagem de picolé (uma não, várias) no braço (inteiro).

Experimenta deixar essas fotos em stand-by e revelá-las só no ano que vem. Você irá ficar chocado com a quantidade de fotos que deixará de lado, pois não parecem mais ser tão especiais assim. A vida mudou, a amizade com aquela bff acabou. “Nossa como eu era feia” – vou revelar pra quê?

Você mudou. Hoje, você está à algumas mudanças de atitute de distância daquele ser com cabelo justin bieber do passado.

Mas, o que mudou? A impressão que dá é que aquelas fotos já não fazem mais sentido. “Nessa foto eu estava passando por uma desilusão amorosa, e lembro que foi um período difícil pra mim. Por que revelar?”

Imagine uma parede branca com várias pequenas fotos Polaroid penduradas nela. As fotos estão em ordem cronológica, e uma de um dia diferente do outro. A primeira foto é você neném (parece que essa fase nem existiu, né?), passando por você criança, aborrecente, jovem adulto, morando em um puxadinho de madeira no quintal dos pais, agora noivo, foto do casamento, foto do primeiro filho, do segundo, até chegar em uma foto de você ontem. Com a barba a fazer, olheiras, barrigudinho, usando uma camisa polo e um tenis nike shox. “Como eu era brega quando usava calça de veludo”

Na parede, tem 1 foto por ano vivido. 50 fotos. “Eu não quero lembrar da época que morei em um puxadinho de madeira no quintal dos meus pais, por mim nem revelava essa foto. Graças à Deus, hoje a minha vida é bem melhor.”

É louco como a gente não pensa que hoje eu só sou um senhor de 50 anos barrigudinho que usa camisa polo e um tênis nike shox no mesmo look porque um dia fui um jovem magricelo que usou cabelo até a cintura e calça de veludo grená.

Retire da parede a foto do puxadinho de madeira no quintal dos pais e junto seja obrigado a tirar aquela foto sua com a chave do primeiro apê em São Paulo. Deixe de revelar uma daquelas fotos que você separou no ano passado, e tenha um álbum de memórias incompleto.

Pois toda e qualquer situação que aconteceu no passado, seja ela boa ou ruim, te levou até aonde você se encontra. Cada uma daquelas fotos de cada um dos seus anos vividos, de cada fase de moda que você experimentou, formam a construção do seu ser, e são você, quer queira quer não.

Hoje, Clodoaldo prefere mil vezes morar em uma casa legal em São Paulo do que dividir um puxadinho com a falta de limpeza de um jovem adulto que mora sozinho. Mas Clodoaldo não pode jamais deixar de levar consigo a foto do barraco. Nem a da calça de veludo, e nem a do bebê que ele nem lembra que um dia já foi. Se não fosse por esses Clodoaldos do passado, o de hoje não seria nem a metade do que ele é.

Agradeça o você de ontem por se tornar o você de amanhã, e respeite a importância que ele teve neste processo.

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