É domingo. Tarde fria e nublada. Lá fora, um pé d’água segue caindo há horas
Decido sair para tomar um café. O que eu coloco no pé?
Não sei por quê a insistência em sair de casa! Me sinto cansada, exausta, e toda suada da ginástica que acabei de fazer na sala.
Mas quero muito tomar um café coado.
Quero muito um gole de vida que é a sensação de ler um livro na cafeteria do seu Ivo. Só ele sabe moer o grão de uma maneira perfeita que enfeita a cafeteira de tal forma que me faz me sentir eu mesma.
É um grão importado, difícil de ser manuseado. Tem todo um jeitinho especial de ser despejado: a água precisa estar pelando mas não queimando, a prece recitada num belo canto, e a xícara posta numa inclinação de 48° graus à direita da mesa.
Quem servir deve estar ao leste do nascer do sol, vestido de branco e portando uma jarra de vidro ciano. Para beber, é preciso sentir o cheiro primeiro, em seguida fazer um bochecho e só então ir engolindo devagar.
Beber esse café é como um banho de mar.
A maré pode até estar agitada e a água gelada, mas a gente sempre se sente renovada.
Ahhh…. toda vez que eu o tomo…. ele me deixa tão leve quanto uma folha no outono.
É que vestir uma galocha pra sair de casa num domingo nublado e enfrentar uma chuva torrencial só pra tomar o café do seu Ivo é… como amar.
Complexo, difícil, estressante, empolgante, saboroso, reconfortante
Uma escolha recompensante feita entre dois amantes que se comprometem a seguirem juntos mesmo perante dias desconcertantes.
Uma vontade incessante de fazer dar certo como uma novela das sete cheia de drama e romance
Tomar esse café é como um ato de amor, que, de vez em quando, pode até sentir dor
mas segue caminhando junto por onde quer que for.
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Foto: Ilha da Magia, Santa Catarina

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