ABRE A JANELA

Escrever… ato ou efeito de manifestar uma inquietude construtiva, um grande desconforto ou um verdadeiro e longo sorriso torto.

Porque existir é viver uma vida bem sentida.

por Diana T. Sposito

Como eu me vejo

Esses dias me peguei pensando o que será que tão achando do que eu to mostrando.

Eu sou muito reservada, odeio que saibam da minha vida e às vezes me pego falando mais do que eu acho que deveria.

Mais do que eu gostaria que soubessem porque pra mim acaba precisando ser um equilíbrio entre nos conhecerem & saberem demais.

Me verem demais?

Ou me julgarem a mais?

Será que eu me julgo demais? Acho que sim.

Quem são eles que eu acho que tão achando algo do que eu to mostrando?

Na verdade, eu que to me julgando.

Porque o fato é que ninguém de fato tá nem aí pra vida de ninguém, tá cada um fazendo o seu e essa é a graça do jogo.

Mesmo quando parece que alguém liga pra algo, no fundo ela só liga pra projeção que ela faz dela mesma em relação àquilo.

Porque é uma benção quando a gente se toca que o que eu não gosto nele é o que eu não gosto em mim também.

É uma benção quando a gente se toca que o que me dá ranço nela é que ela já é algo que eu ainda não sou – mas gostaria de ser.

No final das contas, não é sobre o outro, nunca é a pessoa que incomoda de fato – mesmo que a gente não admita.

O que nos toca realmente é o que eu tenho (ou ainda não tenho) de similar àquele incômodo.

Porque não gostar é como mergulhar numa água cristalina de tão nítido que fica o quanto eu consigo enxergar.

Não gostar é como uma bússola que me diz o que eu preciso mudar ou quem eu preciso me tornar.

Porque o que a gente não gosta é sempre uma característica, um jeito, um traço, um algo. Um pedaço,

do que eu sou, de como eu me sinto.

É difícil aceitar, muito mais fácil só condenar e opinar.

Mas o que eu acho do outro, ou o que eu acho que o outro acha sobre mim, só revela o que no fundo eu mesma penso de mim.

Revela o que eu me permito ser, ou não ser.

Sou muito reservada e odeio que os outros saibam da minha vida porque eu acho muita coisa de mim

e resisto em saber a verdade que me é revelada ao ver o que eu penso que os outros pensam de mim quando sabem mais do que eu me permito saber sobre o meu próprio ser.

Quem ai tem coragem de se ver?

*

*

Foto: Paris, França

2 responses to “Como eu me vejo”

  1. Poeta. E ter lido isso hoje (6/3) foi o timing perfeito. Depois te termos conversado tanto sobre cada uma de nós. E que, no final, é sempre sobre a gente.

    Te amo! Sempre

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    1. E uma tá sempre pela outra. Te amo mais! Sempre

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