ABRE A JANELA

Escrever… ato ou efeito de manifestar uma inquietude construtiva, um grande desconforto ou um verdadeiro e longo sorriso torto.

Porque existir é viver uma vida bem sentida.

por Diana T. Sposito

Os 3 I’s do Wabi Sabi

Muito muito tempo atrás num dia qualquer eu esbarrei sem querer com o conceito do wabi sabi, nem lembro exatamente como.

De alguma maneira, comecei a receber fotos no Pinterest de casas no estilo wabi sabi e me apaixonei perdidamente. Pela primeira vez, senti que finalmente tinha encontrado um estilo que fazia sentido com o que sempre me atraiu esteticamente.

Até hoje nada mudou, minha casa dos sonhos continua exatamente com as mesmas referências japonesas de ambiente: a estética wabi sabi.

Representado por um estilo natural e mais rústico, que valoriza materiais orgânicos, texturas e personalidade. Tons sutis da natureza, terrosos, e a imperfeição dos objetos devido à passagem do tempo como o estado natural das coisas e representação mais pura da beleza.

Um gosto visual específico, é isso.

— ou pelo menos é assim que esse conceito foi trazido pro ocidente.

Wabi” “sabi“, eu adoro o som dessas palavras. Me intriga. Gosto de pronunciá-las. Tanto, que esses dias do nada resolvi ler mais afundo sobre elas.

“Quero que minha casa seja muito wabi sabi“, pensei. “Quero saber cada detalhe do que é isso pra não fugir do tema de jeito nenhum”, pensou a adolescente em mim.

Lealdade é um traço de personalidade que às vezes é curioso né… mas enfim.

Comprei um livro e já na primeira página meu queixo caiu.

Engraçado como a gente é o que a gente é mesmo sem saber que a gente é o que a gente é, né? Que loucura.

Acontece que o wabi sabi é uma filosofia da cultura japonesa, muito, mas muito além e mais profunda que um simples gosto visual.

É uma maneira de ver e viver a vida que, ironicamente, combina 100% com a forma como que o meu corpo se sente. Com a forma que eu inconscientemente encaro minha existência e a experiência de lidar com a resistência da minha mente.

Imperfeita, incompleta e impermanente. Assim é a vida.

Na sabedoria wabi sabi, a beleza essencial é uma experiência vivida por momentos de contemplação do caráter passageiro que o efeito do tempo tem na vida.

São aquelas frações de segundo em que sentimos uma alegria profunda em estar vivendo determinado momento que gostaríamos que durasse para sempre, mas que vemos, com tranquilidade, ele passando… e acabando.

É aceitar que o natural da vida é sempre nos sentirmos incompletos de alguma maneira e que a real mesmo é que o imperfeito é o único estado possível da perfeição.

É a sensação de enxergar uma beleza profunda nos momentos mais simples e banais da vida. É a tal da:

simplicidade emocionante.

E eu sinto tanto a vida dessa forma que acabo até não sabendo lidar, porque minha mente fica o tempo inteiro tentando racionar.

É que sentir e pensar… hmpfff, não tem nem como comparar.

Eu sinto a efemeridade da vida. Tanto, a ponto de doer meu coração e em todo fim eu acabar chorando de emoção.

Sei com certeza absoluta de que nada é para sempre, e amo me sentir incompleta pois é isso que me faz buscar a tão ilusória completude.

Porém… saber, e não fazer, – é não saber.

Porque eu sei que eu sei tudo isso, mas o problema está em incorporar os 3 I’s, diariamente. Nos relacionamentos, nas finanças, na carreira, na saúde. Nos fracassos…

Aceitar e implementar com tranquilidade esses 3 pilares como ponto de partida de qualquer momento da vida… Um baita desafio, diga-se de passagem.

E no meu caso, mais difícil ainda.

Por causa da minha personalidade. Esses dias estava no Museu de Arte de Hong Kong e fiz um teste de identidade para descobrir quem sou eu na arte.

Iludida, achei que ia dar tudo menos o que obviamente deu:

Perfeccionista.

Bacana, né?

Sentir o imperfeito como perfeito, mas pensar a perfeição como o único estado possível de aceitação.

Perfeccionista, tá aí uma bela contradição.

Puts, que pena… acho que vou precisar ir lá visitar o Japão 🙂

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Foto: Railay Beach, Tailândia

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