ABRE A JANELA

Escrever… ato ou efeito de manifestar uma inquietude construtiva, um grande desconforto ou um verdadeiro e longo sorriso torto.

Porque existir é viver uma vida bem sentida.

por Diana T. Sposito

Transitoriedade

Eu não sei lidar com o caráter efêmero de momentos especiais.

Nunca soube. Acho que essa é uma das minhas maiores dificuldades na vida.

Meu maior desafio, karma, peso, e tema constante & repetitivo das minhas escritas.

Simplesmente… não consigo conceber.

Entender, digerir.

Como ter que ir embora sem querer ir?

Como viver um hoje totalmente desatrelado ao ontem sendo que o ontem foi tão divertido que eu queria que ele durasse pelo menos até amanhã?

Como ser obrigada a encerrar uma experiência passageira sendo só o que eu queria é que ela durasse uma tarde inteira?

Não consigo entender!

Tenho certeza que meu medo da morte vem disso. Eu juro que eu amo viver e só pensar em morrer faz meu coração derreter porque eu fico sem saber o que fazer com a excitação que faz meu sangue correr.

Com a pulsação que me enche de emoção ao lembrar de momentos que me fizeram sentir a mais alta vibração.

Às vezes é um saco me escutar pensar porque haja paciência pra me ouvir divagar TANTO sobre perguntas sem resposta que nunca vão me fazer chegar.

Às vezes eu só queria me preocupar com que bolsa eu vou comprar, sabe, ou qual sapato eu vou usar.

Mas aparentemente é impossível pois não consigo evitar filosofar.

Esses dias fiz meu mapa natal pela primeira vez, aquele mapa que a mulher olha como tava o céu na hora que eu nasci ou algo assim

A pobre coitada ficou até com dó de mim. Falou que eu sou uma pessoa extremamente profunda, sensível e emotiva, que passa muito tempo tentando entender o sentido da vida.

Que não consegue viver num plano superficial porque meu ser é altamente espiritual e minha cabeça vive no espaço sideral.

Ou seja,

uma grande chata astral.

Alguém me ensina a ser normal?

Quero conseguir olhar pra foto de um dia legal com a mesma naturalidade que olho pra minha carteira de identidade.

Ou conhecer uma pessoa especial sem sentir a necessidade de abraça-la como se eu tivesse uma super intimidade.

Porque me despedir de alguém que me faz rir é sempre uma enorme dificuldade.

E o pior é que eu sinto tudo isso mas nem consigo demonstrar, ajo na maior naturalidade como se fosse só mais um dia do meu pulmão oxigenando ar.

Uma emocionada pela metade.

Saudade.

Como aceitar a efemeridade?

*

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Foto: 12th Berlin Biennale for Contemporary Art, artista não identificado.

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