ABRE A JANELA

Escrever… ato ou efeito de manifestar uma inquietude construtiva, um grande desconforto ou um verdadeiro e longo sorriso torto.

Porque existir é viver uma vida bem sentida.

por Diana T. Sposito

Respeita a minha fase

Eu tô numa fase que critica muito. Critica tudo. Não no sentido de criticar (apontar o dedo ou julgar), mas no sentido de criticar (questionar). Tô questionando tudo. E eu nunca fui assim. Acabei de me tocar que estou nessa fase e vim aqui escrever.

Eu ando criticando tudo. Prestando muita atenção no que andam falando por aí. Na verdade isso eu sempre fiz, fiz muito e tenho feito mais ainda. Quero só ver o quanto eu farei no futuro.

O ponto é que eu ando prestando muita atenção nas pessoas. Nas palavras principalmente. Mas principalmente no olhar e nos gestos. Principalmente no contexto da vida delas, na verdade. Me desculpa, mas eu tô te observando.

Eu sempre fui bela, recatada e do lar. Sempre fui um mulherão da pourra e sempre me senti bem pra frentex. Mas eu sempre fui beautiful, modest and from home. Fazia mil e um questionamentos na minha cabeça, mas externava zero. Medo de estar errada. Medo de ser julgada. Medo de ser questionada.

Medo de estar certa. Medo de ter uma opinião forte. Medo de mostrar a minha visão dos fatos às pessoas e fazer elas verem o quanto estavam “erradas” (se é que isso existe né).

Medo de brilhar. Fiz terapia por um bom tempo e esse era um tema hiper corriqueiro. Eu sempre soube que minha luz era muito forte e tinha medo de brilhar demais. De ofuscar a luz dos outros. Muito fofo de mim pensar isso, mas hoje eu fortemente imagino que todos os outros seres humanos tenham o mesmo medo.

Cada um tem sua luz. Seu brilho. E, pro meu mundo, a minha luz brilha mais que a dos outros. Pro seu mundo, a sua luz brilha mais que a dos outros. E é assim que tem que ser. Se cada um for o centro do seu universo, o mundo vira um lugar melhor.

Por favor, não me entenda mal. Não é sobre ser egoísta e achar que só a gente importa. Tenhamos bom senso. Mas eu diria que é sobre ter amor próprio. Se eu me amar tanto, a um nível que chega a transbordar, eu tenho amor de sobra pra oferecer pro outro. E eu não preciso de nada em troca, porque já tá tudo preenchido em mim. Eu só ofereço amor, com amor.

Eu tô tão feliz em estar começando essa fase de ativista. Ativista das minhas opiniões. Por mais que eu saiba que externalizar opiniões é algo perigoso, e deve ser feito com cuidado. Devemos sim criticar (questionar) e posicionar nossas opiniões, mas idealmente fazer isso sem machucar ninguém. Eu, tu ele, nós, vós e eles, mô kiridu.

Não existe essa história de ofuscar a luz dos outros. No céu tem espaço a rodo para todas as luzes brilharem igualmente. E simultaneamente. Vai depender de cada um decidir qual a intensidade do seu brilho naquele momento.

Eu sempre fui questionadora. Mas nunca questionei. Procurava as respostas dentro da minha cabeça. O que me levou a encontrá-las todas, de uma maneira ou de outra (Fica a dica). Mas agora eu tô afim é de procurar lá fora. Por enquanto sem intenção de encontrar nenhuma resposta, na verdade. Perguntar lá fora é só um reflexo da vontade de falar.

Agora dá licença que eu vou te observar reagindo a esse texto. Dá licença que eu vou me observar tendo vontade de falar. De gritar pro mundo. Me escuta. Eu tenho algo importante a dizer. Por quê?

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Foto: Praia do Cassange, Bahia – Brasil

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