O tal do “quem sou eu”

O que me faz ser quem eu sou? Eu sou mesmo quem eu represento ser? Quem eu quero ser?

24 horas, 7 dias da semana. 365 dias por ano, essas perguntas dão o ar de sua graça. Eu sou mesmo quem eu penso que sou? Eu sou realmente quem eu estou sendo?

Será que, quando eu tinha 17 anos, eu era mesmo quem eu realmente era? Com a mentalidade de hoje é fácil olhar para trás e apontar os dedos. Julgar quem eu fui, dizer que fiz tudo errado, se arrepender, querer voltar, nostalgia, choro, impotência, frustração, conformação. Na semana seguinte, julgar quem eu fui na semana passada, dizer que fiz tudo errado, se arrepender, querer voltar, nostalgia, choro, impotência, frustração, conformação. Daqui três meses, julgar quem eu fui há três anos, dizer que fiz t…

E assim começa a disputa do quem sou eu construtivo contra o quem sou eu destrutivo. Qual predominará as emoções daquele ser?

Esses dias aprendi que depressão é quando a gente resiste em se tornar a nova pessoa que já somos. Sim, eu repito. De acordo com o que o aprendi daquele ensinamento, a depressão aparece quando já nos tornamos uma nova pessoa mas estamos com medo de deixar de ser quem a gente era. Permanecemos no luto entre a transformação do velho para o novo.

Sem entrar no mérito da doença e da dificuldade que pode ser sair dela, e se nos trabalharmos para aumentar nossa disposição para aceitar mudanças? Não, não é fácil, pois é mais confortável permanecer infeliz no conhecido do que aceitar a chance de ser feliz no desconhecido. Porém, é um trabalho diário e eterno que – eu garanto – fica mais fácil a cada dia.

Há dois dias, resolvi aceitar a mudança que evidentemente estava acontecendo na minha vida. Fui obrigada a alterar meus planos para esse momento, e, por mais que foi super fácil aceitar esta mudança, foi difícil conviver com ela. Mais uma vez, foi difícil aceitar que eu consigo enxergar, e sei, que é possível ser feliz nesse novo desconhecido, por mais que muitas trilhas neurológicas de paciência tenham que ser construídas agora.

Mas, vou te contar uma coisa. Assim que eu decidi me desprender do controle mental de controlar o meu futuro – de controlar como as coisas vão acontecer e o que vai acontecer – e simplesmente permitir que meu corpo me mostre o caminho, frutos desse esforço já brotaram!

Agora, me sinto brotando, e com fluidez.

Porém, entretanto, contudo e todavia…… o trajeto requer sentimentos negativos. O choro, impotência, frustração, e conformação são necessários. Graças à eles, me senti obrigada a me rever e me estudar infinitas vezes até entender aonde quero chegar. Cada reflexão de dor me trouxe claridade pra chegar até o prazer.

Volte ali em cima e releia o ciclo que surge ao apontar os dedos. O quem sou eu destrutivo começa a partir do julgamento em relação ao passado, enquanto o quem sou eu construtivo começa pelo choro e adiciona reflexão + mudança em sua fórmula.

Convido você a, hoje mesmo, se policiar para não tomar a rota destrutiva e, por livre e espontânea pressão, iniciar o ciclo do quem sou eu construtivo.

Se não está conseguindo encontrar saída, a solução não é questão da mente, e sim do corpo.

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Foto: South Island – New Zealand

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