Aconchego, me chego num chamego sem medo.
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Gosto de conversa abstrata.
Gosto de conversar sem falar, só por olhar. Conhecer alguém só por observar
Como anda, se veste, se porta, aonde mora
Não preciso nem saber nome ou telefone, basta me convidar pra um chá que decifro – pelo menos a metade, só de sentar no sofá.
Mesa de vidro, mármore ou madeira, será que ela ainda se sente inteira?
A primeira coisa que fiz ao me mudar foi pintar a parede da sala. Convenhamos que preto com azul neste momento não ressoa muito bem com a leveza de um canvas nú. Não diz muita coisa sobre quem eu sou, sabe, ou talvez até diga mas não exatamente com as palavras que eu desejo usar
Porque, morada… é uma casa pelada com alma escaldada que mama e desmama de um lugar pro outro sem precisar se justificar. É uma conversa fiada sem pé nem cabeça que não precisa de nada pra afirmar que a História da Beleza é o que EU defino, nas entrelinhas de um vaso, na cor de um prato, nos livros da sala, no formato de um quadro
Porque harmonia realmente não é a ausência de opostos, mas claramente o equilíbrio entre eles. Efetivamente, é a comunicação clara e sincera entre o feio e o belo, a gargalhada daquele dia que te deixa no chinelo
Simples assim, se expressar sem nem precisar se estressar.
Porque hoje em dia muito se fala mas a real mesmo é que mais ainda se é dito. Não pelo que é de fato murmurado, mas pelo que é transmitido na frase serena saída de um olhar fumegante que por de trás das lentes finge que esconde uma raiva gigante
Quem procura acha é nova tênue linha entre o julgamento e o entendimento, mas uma coisa eu garanto:
quem observa enxerga
Um orgulho ferido, um ego inflado, um trauma infantil, uma memória senil, um apego sem medo, a procura sincera pela cura de si mesmo
Um exercício diário que pode ser um desserviço se exercido sem o devido cenário
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Atenção, irmãos,
oremos por pensamentos congruentes com os sons que transmitimos sobre a gente.
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Foto: Florianópolis, Brasil

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