ABRE A JANELA

Escrever… ato ou efeito de manifestar uma inquietude construtiva, um grande desconforto ou um verdadeiro e longo sorriso torto.

Porque existir é viver uma vida bem sentida.

por Diana T. Sposito

Entrou o vento suli

Alma livre, leve e solta, feliz e curtindo a vida. Sem apegos, sem amarras. Evoluindo de uma aventura para a outra. Eu que decido a direção do meu barco, mas deixo o vento me guiar e adaptar a minha rota. Até o destino final.

Resiliência. Wanderlust? Não existe destino final, a gente nunca vai chegar “lá”. Toda vez que eu chego em algum lugar, descubro um lugar novo que eu quero chegar. Como eu disse, não tenho tempo pra viver a mesma vida durante uma vida toda.

Sem tempo, irmão!

É aquela coisa: o tempo perguntou pro tempo qual é o tempo que o tempo tem. O tempo respondeu pro tempo, que não tem tempo pra dizer pro tempo, que o tempo que o tempo tem, é o tempo que o tempo não tem.

Se nem o próprio tempo tem tempo, como que EU vou ter tempo?

O único tempo que eu sei que eu tenho é aquele entre uma respiração e outra, o qual, dependendo da intensidade, é justamente o tempo do vazio. Da passagem de um ciclo para o outro, da ausência de matéria e da presença de ar.

Justamente o tempo necessário pra respirar.

O vazio é louco porque ele claramente indica o fim & início de um ciclo. O vazio é louco pois ele é tão leve e sutil que chega a doer, principalmente para quem não está consciente.

Dói pra todo mundo, né, mudanças de plano radicais, mas ainda mais para quem tá dormindo no ponto. Quero nem ver o susto que vai tomar quando acordar.

Porque estar consciente durante o vazio, só respirando, não-tem-preço. É um momento de pura gratidão. Gratidão pelo que passou, pelo que está passando, e pelo que ainda irá passar…. Pas-sar .

Já dizia Nx Zero: na vida tudo passa, não importa o que tu faça.

Mudanças de plano inesperadas nada mais são do que ajustes de rota, que vão se adaptando de acordo com o que o vento mandar. Talvez aquele sempre fosse o caminho, mas se hoje o vento acordou mais forte, vai ter que adaptar mais cedo do que o planejado.

Se for o vento sul então, meu amigo, corre virar o leme pro outro lado. Ele ainda vai te levar na mesma direção, mas o trajeto já é outro.

É o tal do vento suli, mô kiridu, esse fax côza.

E que bom. Que bom que ele faz coisa. Que bom que ele dá esse empurrãozinho. Vem limpando tudo que tem que ser limpo, e trazendo novos ares, novos olhares, novas aventuras!

De mochila nas costas, vou andando pela vida.

Eu que decido a direção do meu barco, e eu me adapto conforme o vento. Durante o trajeto, vou parando para apreciar a paisagem, explorar ilhas desertas, sentir novos sabores. Refletir, me sentir, me recarregar.

E me preparar para ajustar a rota!

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Foto: Utrecht – The Netherlands

3 responses to “Entrou o vento suli”

  1. Tu é foda gatinha

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  2. Bacana! Obrigado. Gostei muito.

    Tenha um bom dia!

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    1. Fico muito feliz 🙂

      Obrigada, você também!

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